O inglês Arthur C. Clarke escreveu muitos livros. O mais conhecido no
Brasil é 2001, uma odisséia no espaço.
2001 é bom e histórico, afinal, virou
um filme e dos bons. Esse, O fim da
infância, que acabo de reler, foi um dos primeiros que ele escreveu e é um
dos melhores entre os que li. Rivaliza até com Encontro com Rama, que considero sideral, quer dizer, maravilhoso. O fim da infância, primeiramente, foi
escrito como um conto curto (Anjo da
Guarda) e, depois de sofrer algumas intervenções promovidas pelo seu agente
literário, transformou-se no primeiro capítulo do romance.
O conto original foi publicado em uma revista em 1950, o livro em 1953
(uma observação, do autor, nos lembra de que o livro precedeu em quatro
anos o lançamento do primeiro satélite terrestre, o Sputnik). Logo depois, em
1956, Hollywood comprou os direitos do livro. Esse direito, à produção
cinematográfica, já mudou de mãos várias vezes, mas ninguém o produziu. A
leitura me fez ter alguma ideia do porque dessa “demora”. A cena inicial do
filme Independence Day, em que as naves alienígenas chegam e estacionam
sobre as principais cidades terráqueas, pagou direitos autorais aos detentores
dos direitos cinematográficos sobre o romance. Entretanto, o resto do filme não
tem nada a ver com o resto do livro.
O que há de mais interessante nesse romance, de ficção científica, é que
se passa todo sobre a superfície do nosso planeta. A parte em que um dos personagens
faz uma viagem espacial é acessória, pois o mais importante é o que acontece, oitenta
anos depois da partida, quando retorna ao seu lar, a Terra.
O livro é assombroso. É uma viagem sem volta. Diante da cronologia dos
fatos associados às datas, do lançamento do livro ao início da conquista
espacial, que o romance precede, imagino como deve ter sido lê-lo na época em
que foi publicado. Recomendo como um excelente “abridor de mente”. Aposto que a
maioria dos leitores não continuará a ser mesma pessoa depois de terminar a
leitura. O autor, no tempo em que escrevia o romance, pesquisava o universo do
que chamamos de paranormal. Apesar de alguns anos depois ter se transformado em
um cético, seu livro consegue nos envolver numa atmosfera carregada pela exibição
da inevitável evolução e o fim das coisas, da vida e até da história do homem
sobre a superfície do planeta.