sexta-feira, 14 de junho de 2013

Morte Súbita


Quem diria! A escritora J. K. Rowling lançou um livro que não fala de bruxos ou magia! Bem que ela avisou que não queria mais saber das histórias do feiticeiro mirim Harry Potter – nem tão mirim nos últimos volumes.

Tenho certeza de ter lido dois livros da série. Gostei muito do primeiro, achei bom o segundo e, apesar de estar quase certo de ter lido também o terceiro, não me lembro do que havia nele. Culpa dos filmes, todos ótimos! Diversão garantida, mas que prestaram um desserviço à autora me embaralhando a memória e satisfazendo minha curiosidade, a tal ponto que desisti de seguir comprando, mesmo em saldos ou em barraquinhas de feiras de livros, os outros volumes da série. Espero que a Senhora Rowling não tenha sentido a falta do meu dinheiro. Afinal, ela já estava beirando os 450 milhões de exemplares, vendidos pelo mundo todo, quando parei.

Estava parado até agora, quando não resisti à tentação da novidade e comprei seu último lançamento: Morte Súbita (The Casual Vacancy), o primeiro livro que escreve para adultos e não para pequenos e adolescentes (e crianças grandes como eu que não resistem a uma boa história de aventuras). Depois de terminada a leitura não restou dúvida a respeito de a quem o texto é dirigido.

No novo romance ela escreve a crônica de um vilarejo inglês, Pagford.  A coisa começa com um acontecimento inesperado, que dá o título à obra: a morte súbita de um cidadão querido por muitos (não por todos) e importante para os projetos da administração do lugarejo.

A autora conduz a narrativa num crescendo de pequenas fatalidades, desencontros e intrigas de todos os tipos entre os vizinhos. É véspera da reunião para a tomada de algumas decisões capitais ao futuro daquele subúrbio inglês. Mas, como resultado imediato da morte súbita do Sr. Fairbrother, a pequena assembleia local, responsável por tais resoluções, fica desfalcada, o que causa desequilíbrio entre duas facções dominantes. Antes de mais nada, há urgência na escolha de um novo conselheiro. Tudo pode acontecer enquanto o entrevero se desenvolve, misturando adolescentes de mau comportamento, adultos de caráter duvidoso, idealistas equivocados e a utilização da internet para o mal.

A qualidade da trama, da construção dos personagens, com suas sutilezas psicológicas, surpreende. Talvez eu estivesse esperando o texto de alguém que conhecia por suas boas narrativas fantasiosas e mirabolantes e me deparei com densidade e drama.