Eu já mencionei esse livro, Tablóide
americano (American tabloid), no
comentário “6 mil em espécie” que publiquei sobre a trilogia de romances
policiais, do James Ellroy onde a narrativa se passa nos Estados Unidos da era
Kennedy e logo após. Naquele texto tomei por base o que havia lido nos dois
últimos livros da série, os 6 mil em
espécie (The cold six thousand) e
Sangue errante (Blood’s a rover). Não tinha como comentar o primeiro, o tal Tablóide, porque esteve esgotado. Semana passada, finalmente, terminei a sua
leitura.
Tablóide americano, não
correspondeu à minha expectativa. Por ser o primeiro, pensei o pior sobre o
livro. Normalmente, o autor aprimora o trabalho na medida em que o desenvolve.
Engano meu. Não dá para eleger qualquer um dos três livros como o melhor. A
pegada é a mesma.
Quando comecei a ler a trilogia, a partir do livro dois, o John Kennedy
já era e a ação é nos tempos de depois do seu assassinato. Em Tablóide americano a coisa começa antes
da sua eleição para presidente e discorre sobre as maquinações para que isso
aconteça, incluindo a campanha contra o Nixon, as tramóias com a máfia - do Sam
Giancana e do Carlos Marcelo -, com o Jimmy Hoffa, com o FBI - do Edgar Hoover
-, com o Fidel Castro – aquele de Cuba -, com o irmãozinho Robert Kennedy e o
até com o doido drogado do Howard Hughes. Descreve o planejamento e as
consequências da desastrada invasão da Baia dos Porcos e outras coisas mais do
reinado do Kennedy. Todo mundo alimentou ilusões a respeito do priápico presidente.
Todo mundo achava que ele seria legal. Todo mundo achava que a máfia se daria
bem. Hoffa se daria bem. Hughes e até Fidel também. Ninguém se deu bem.
O livro é ótimo, mas aviso que ele segue o mesmo estilo de pancada dos
outros dois, ou seja: golpe abaixo da linha da cintura é o que conta.
Prostituição, chantagem, tráfico de heroína e de influência, assassinatos a
tiros e a machadadas, roubo, escutas ilegais, tudo faze parte do cardápio
oferecido por James Ellroy na trilogia fantástica, Submundo USA, sobre o crime organizado e a politicagem nos Estados
Unidos dos anos 50 e 60. Há coisas escritas das quais até Deus duvida, mas nada
tão absurdo ao ponto de se ter a certeza de que não aconteceu. Entre as várias
delícias, os relatos sobre a produção da revista de fofocas Hush Hush: impagável.
“O maior escritor policial de nossa época, talvez de todos os tempos.” - Newsweek
“Estilhaços narrativos que, unidos com uma coerência exemplar, formam uma
história cativante desde os primeiros capítulos. É literatura policial, e das
boas.” - Folha de S. Paulo
