John Fante foi um homem preocupado com a verdade. Sempre que leio algum
dos seus livros me passa pela cabeça que ele faz parecer tão simples escrever
direto do coração para o papel. Quem já arriscou seus rabiscos sabe bem do que
estou falando.
Nesse livro, pequeno, 1933 foi um
ano ruim (1933 was a bad year),
ele não deixa nada para depois. Coloca lá as coisas que tocam fundo o coração,
direto, sem voltas. Dominic quer o mundo. Ele tem 17 anos e está certo
de que não tem tempo a perder. Meu coração pulava enquanto eu me lembrava de
que já estive por lá, pelos 17 anos de idade, com meus sonhos e delírios,
caros, urgentes.
Depois que terminei de ler o texto de John Fante, morto lá em 1983, doeu
lembrar que ainda estou aqui, que nada aconteceu. Que o mundo não acabou – todo
mundo um dia teve a certeza de que isso iria acontecer quando viu que a vida
não estava nem aí para sonhadores com 17 anos de idade.
Já li dele Pergunte ao Pó (Ask the dust), Espere a primavera, Bandini (Wait
until spring, Bandini) e esse, 1933
foi um ano ruim, em todos está presente essa urgência em realizar e a ansiedade
jovial do protagonista, mais ou menos um alter ego do autor.
Charles Bukowski, uma espécie de curador informal da obra de John Fante,
disse: “finalmente aqui está um homem que não tem medo da emoção”.
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