Acabei de ler o livro do jornalista Edney Silvestre. Não sabia nada dele
como escritor, muito menos que esse não era seu primeiro livro. Soube um pouco quando
me dei ao trabalho de ler umas e outras boas resenhas sobre o A felicidade é fácil.
Gosto de ler. Leio de tudo. Gosto muito de histórias policiais.
Eu confesso: tive que vencer algum preconceito. Jornalista global,
resenhas em jornais escritas por colegas... Caramba! Tenho gasto um bom dinheiro
para ler muitos romances policiais dos quais bastou uma resenha “interessante”.
E isso não me livrou de ler coisas deficientes. Vou prestigiar um brasileiro,
pensei. Não vou conseguir me arrepender disso mais do que já me arrependi ao
ter me arriscado com sujeitos com nomes estrangeiros. Comprei o livro.
De início estranhei. Parecia que estava lendo uma história já conhecida,
que já havia sido publicada nos jornais, até me dar conta de que o Edney estava
usando, com habilidade, a minha memória.
Ele conta um caso de sequestro perpetrado no Brasil por bandidos estrangeiros.
Lembram? Pois é, eu ia me lembrando e isso me fazendo acreditar que já sabia do
caso. Mas o livro não é uma reportagem, é romance, e me caiu a ficha. O enredo
não é o mesmo que narrou, em passado recente, a crônica policial brasileira,
mas tem tudo com o que os jornais publicaram sobre os famosos casos do Abílio
Diniz e do Olivetto. Só que o autor nos coloca do outro lado da linha, do lado
dos que sabiam o que realmente havia por trás daquilo tudo. Estranhamente, a
possibilidade de que complôs como aqueles pudessem ter acontecido da forma como
ele descreve, não me espantou.
Edney Silvestre navega por onde conhece. Pega tudo: polícia, política,
economia, corrupção e outras coisas que estão por aí, na nossa cara, o tempo
todo. Mistura, sacode e serve de volta numa história simples, bem montada e bem
escrita.
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