Uma trama intrincada e uma história bem contada é o que imagino que todos
procuram quando vão ler um romance policial. Arnaldur Indridason conta uma
história desse tipo no seu livro, O
silêncio do túmulo (Grafarþögn).
Para começar, a narrativa se passa em Reykjavík, na Islândia, e isso a
torna diferente da maioria das histórias de detetive que andei lendo. Essas,
até agora, sempre se passaram em algum lugar dos Estados Unidos, da Europa,
principalmente Grã-Bretanha ou França e até mesmo no Brasil. (Islândia? Não é
aquele lugar gelado e cheio de vulcões com nomes impronunciáveis?)
Através da trama do Arnaldur outra coisa acontece: somos apresentados à
história recente da Islândia, desde a época da Segunda Guerra, quando a ilha
foi “ocupada” por tropas britânicas e americanas, com o pretexto de defendê-la
de uma possível (mas remota) invasão nazista. Também passamos a conhecer um
pouco do desenvolvimento de sua capital, Reykjavík (até mapinha tem no livro).
Coisas interessantes não faltam ao enredo. Os personagens também são importantes
nesse tipo de literatura e estão lá - solidamente construídos - e nosso herói,
o inspetor Erlendur, com sua determinação profissional, vida particular caótica
e um caminhão de ansiedades, é perfeito.
Tudo começa nos idos de 1940, no seio de uma família dominada por um homem
monstruosamente violento, e vem até nossos dias quando é descoberto um túmulo
clandestino. De quem é o cadáver? O que aconteceu para ele ser enterrado ali?
São perguntas que levam o livro todo para serem respondidas, claro. Valeu a
pena ler a história até sua última palavra.
Divertimento garantido, de qualidade.
O silêncio do túmulo – Arnaldur
Indridason – Companhia da Letras.