sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O silêncio do túmulo


Uma trama intrincada e uma história bem contada é o que imagino que todos procuram quando vão ler um romance policial. Arnaldur Indridason conta uma história desse tipo no seu livro, O silêncio do túmulo (Grafarþögn).

Para começar, a narrativa se passa em Reykjavík, na Islândia, e isso a torna diferente da maioria das histórias de detetive que andei lendo. Essas, até agora, sempre se passaram em algum lugar dos Estados Unidos, da Europa, principalmente Grã-Bretanha ou França e até mesmo no Brasil. (Islândia? Não é aquele lugar gelado e cheio de vulcões com nomes impronunciáveis?)

Através da trama do Arnaldur outra coisa acontece: somos apresentados à história recente da Islândia, desde a época da Segunda Guerra, quando a ilha foi “ocupada” por tropas britânicas e americanas, com o pretexto de defendê-la de uma possível (mas remota) invasão nazista. Também passamos a conhecer um pouco do desenvolvimento de sua capital, Reykjavík (até mapinha tem no livro).

Coisas interessantes não faltam ao enredo. Os personagens também são importantes nesse tipo de literatura e estão lá - solidamente construídos - e nosso herói, o inspetor Erlendur, com sua determinação profissional, vida particular caótica e um caminhão de ansiedades, é perfeito.

Tudo começa nos idos de 1940, no seio de uma família dominada por um homem monstruosamente violento, e vem até nossos dias quando é descoberto um túmulo clandestino. De quem é o cadáver? O que aconteceu para ele ser enterrado ali? São perguntas que levam o livro todo para serem respondidas, claro. Valeu a pena ler a história até sua última palavra.

Divertimento garantido, de qualidade.

O silêncio do túmulo – Arnaldur Indridason – Companhia da Letras.

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