
Era uma vez... É assim que começa a história do menino David, o herói de O livro
das coisas perdidas, do escritor irlandês John Connolly.
Encanto desde a primeira linha, o autor conduz nosso herói pelas lendas e
fábulas que um dia povoaram o imaginário das crianças, eu entre elas.
Chapeuzinho Vermelho e o lobo mau, Branca de Neve e os sete anões, João e Maria,
lobisomens e a Bela Adormecida, são algumas das figuras que o menino visita em
sua saga em busca de uma verdade.
A narrativa é sombria, a melancolia a companheira de toda hora. As manifestações
de crueldade e o seu resultado – uma constante, como acontecia nas fábulas originais
–, colorem de vermelho o cenário. O caminho que David precisa percorrer, atrás da
saída da situação em que se vê metido, é tortuoso e os perigos são mortais. Será
que o bem triunfará sobre o mal? A dúvida nos perseguiu até as últimas páginas.
Leitura difícil de largar, hipnótica. Enquanto viajava pelo livro, lembrei
da tia querida e do meu pai, que contavam histórias, muitas vezes terríveis,
para os pequenos dormirem. Lembrei de fábulas e de que eu era criança. Revi o
momento em que foi plantada a semente que me transformaria em um leitor.
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