sábado, 21 de julho de 2012

O livro das coisas perdidas


Era uma vez... É assim que começa a história do menino David, o herói de O livro das coisas perdidas, do escritor irlandês John Connolly.

Encanto desde a primeira linha, o autor conduz nosso herói pelas lendas e fábulas que um dia povoaram o imaginário das crianças, eu entre elas. Chapeuzinho Vermelho e o lobo mau, Branca de Neve e os sete anões, João e Maria, lobisomens e a Bela Adormecida, são algumas das figuras que o menino visita em sua saga em busca de uma verdade.

A narrativa é sombria, a melancolia a companheira de toda hora. As manifestações de crueldade e o seu resultado – uma constante, como acontecia nas fábulas originais –, colorem de vermelho o cenário. O caminho que David precisa percorrer, atrás da saída da situação em que se vê metido, é tortuoso e os perigos são mortais. Será que o bem triunfará sobre o mal? A dúvida nos perseguiu até as últimas páginas.

Leitura difícil de largar, hipnótica. Enquanto viajava pelo livro, lembrei da tia querida e do meu pai, que contavam histórias, muitas vezes terríveis, para os pequenos dormirem. Lembrei de fábulas e de que eu era criança. Revi o momento em que foi plantada a semente que me transformaria em um leitor.

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