sexta-feira, 6 de julho de 2012

As Crônicas Marcianas


Fecho os olhos. As imagens vão se formando, vívidas. O chão, as dunas de areia, as colinas e as grandes montanhas distantes, tudo vermelho. Ferrugem. Há uma névoa rubra eterna na linha do horizonte. Em algumas épocas o vermelho se eleva bem acima do horizonte. É a estação das grandes tempestades. Ventos colossais fazem todos se esconderem nos subterrâneos para lá ficar por vários meses, até a natureza se acalmar na superfície.

Sobre a minha cabeça o céu é negro e cheio de estrelas. São tantas estrelas... como nenhum habitante da Terra jamais viu ou verá enquanto estiver mirando de lá o céu noturno. Aqui, onde o céu é sempre negro, a diferença entre o dia e a noite é o sol, que nasce bem menor do que na Terra. Brilhando como uma grande estrela junto com todas as outras contra o céu escuro. É noite quando o Sol desaparece, só que as estrelas continuam ali, agora tomando conta do espaço que cobre tudo. O seu brilho é tão intenso que é claro como o dia, dia marciano.

Nunca subestime o poder da leitura. Eu, que há muito estivera em Marte através d’As Crônicas Marcianas, pouco lembrava daquele planeta e este pouco ainda estava oculto pela névoa do tempo nas dobras do meu cérebro. Enquanto relia o livro do Ray Bradbury fui surpreendido por visões daquele lugar, por onde nunca andei.

Reler o livro me levou de volta a Marte e uma imensa nostalgia tomou conta do meu coração. Não são estranhos esses sentimentos? Nunca estive lá e, no entanto, é como se eu tivesse vindo de lá.

Tenho a mania de não ler introduções, prefácios ou apresentações, que geralmente estão no início dos livros, mesmo que sejam escritas pelo autor. Deixo isso para o final, se gostar do que li. Nesse caso meu mau hábito foi providencial. A leitura da apresentação feita pelo Bradbury teria certamente “estragado” tudo. Ele cita Aldous Huxley em seu comentário sobre As Crônicas Marcianas: “Você é um poeta. Escreveu um livro de poesia sobre Marte. É mais do que ficção, são mais do que meras palavras, são palavras mágicas. Você transformou Marte em um lugar real e nós todos vamos viajar para lá e não vamos voltar, tudo por sua culpa. Você chegou lá primeiro, foi o primeiro marciano. Obrigado por este livro.”

Obrigado por este livro, Ray Bradbury, descanse em paz. Nos vemos em Marte.

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