Quem diria! A escritora J. K. Rowling lançou um livro que não fala de bruxos
ou magia! Bem que ela avisou que não queria mais saber das histórias do feiticeiro
mirim Harry Potter – nem tão mirim nos últimos volumes.
Tenho certeza de ter lido dois livros da série. Gostei muito do primeiro,
achei bom o segundo e, apesar de estar quase certo de ter lido também o
terceiro, não me lembro do que havia nele. Culpa dos filmes, todos ótimos!
Diversão garantida, mas que prestaram um desserviço à autora me embaralhando a
memória e satisfazendo minha curiosidade, a tal ponto que desisti de seguir comprando,
mesmo em saldos ou em barraquinhas de feiras de livros, os outros volumes da série.
Espero que a Senhora Rowling não tenha sentido a falta do meu dinheiro. Afinal,
ela já estava beirando os 450 milhões de exemplares, vendidos pelo mundo todo,
quando parei.
Estava parado até agora, quando não resisti à tentação da novidade e
comprei seu último lançamento: Morte
Súbita (The Casual Vacancy), o
primeiro livro que escreve para adultos e não para pequenos e adolescentes (e crianças
grandes como eu que não resistem a uma boa história de aventuras). Depois de
terminada a leitura não restou dúvida a respeito de a quem o texto é dirigido.
No novo romance ela escreve a crônica de um vilarejo inglês, Pagford. A coisa começa com um
acontecimento inesperado, que dá o título à obra: a morte súbita de um cidadão
querido por muitos (não por todos) e importante para os projetos da
administração do lugarejo.
A autora conduz a narrativa num crescendo de pequenas fatalidades,
desencontros e intrigas de todos os tipos entre os vizinhos. É véspera da reunião
para a tomada de algumas decisões capitais ao futuro daquele subúrbio inglês. Mas,
como resultado imediato da morte súbita do Sr. Fairbrother, a pequena
assembleia local, responsável por tais resoluções, fica desfalcada, o que causa
desequilíbrio entre duas facções dominantes. Antes de mais nada, há urgência na
escolha de um novo conselheiro. Tudo pode acontecer enquanto o entrevero se
desenvolve, misturando adolescentes de mau comportamento, adultos de caráter
duvidoso, idealistas equivocados e a utilização da internet para o mal.
A qualidade da trama, da construção dos personagens, com suas sutilezas psicológicas,
surpreende. Talvez eu estivesse esperando o texto de alguém que conhecia por
suas boas narrativas fantasiosas e mirabolantes e me deparei com densidade e drama.


