sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O fim da infância


O inglês Arthur C. Clarke escreveu muitos livros. O mais conhecido no Brasil é 2001, uma odisséia no espaço. 2001 é bom e histórico, afinal, virou um filme e dos bons. Esse, O fim da infância, que acabo de reler, foi um dos primeiros que ele escreveu e é um dos melhores entre os que li. Rivaliza até com Encontro com Rama, que considero sideral, quer dizer, maravilhoso. O fim da infância, primeiramente, foi escrito como um conto curto (Anjo da Guarda) e, depois de sofrer algumas intervenções promovidas pelo seu agente literário, transformou-se no primeiro capítulo do romance.

O conto original foi publicado em uma revista em 1950, o livro em 1953 (uma observação, do autor, nos lembra de que o livro precedeu em quatro anos o lançamento do primeiro satélite terrestre, o Sputnik). Logo depois, em 1956, Hollywood comprou os direitos do livro. Esse direito, à produção cinematográfica, já mudou de mãos várias vezes, mas ninguém o produziu. A leitura me fez ter alguma ideia do porque dessa “demora”. A cena inicial do filme Independence Day, em que as naves alienígenas chegam e estacionam sobre as principais cidades terráqueas, pagou direitos autorais aos detentores dos direitos cinematográficos sobre o romance. Entretanto, o resto do filme não tem nada a ver com o resto do livro.

O que há de mais interessante nesse romance, de ficção científica, é que se passa todo sobre a superfície do nosso planeta. A parte em que um dos personagens faz uma viagem espacial é acessória, pois o mais importante é o que acontece, oitenta anos depois da partida, quando retorna ao seu lar, a Terra.

O livro é assombroso. É uma viagem sem volta. Diante da cronologia dos fatos associados às datas, do lançamento do livro ao início da conquista espacial, que o romance precede, imagino como deve ter sido lê-lo na época em que foi publicado. Recomendo como um excelente “abridor de mente”. Aposto que a maioria dos leitores não continuará a ser mesma pessoa depois de terminar a leitura. O autor, no tempo em que escrevia o romance, pesquisava o universo do que chamamos de paranormal. Apesar de alguns anos depois ter se transformado em um cético, seu livro consegue nos envolver numa atmosfera carregada pela exibição da inevitável evolução e o fim das coisas, da vida e até da história do homem sobre a superfície do planeta.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Bird by Bird


Quando comentei o livro do Mario Vargas Llosa, Cartas a um jovem escritor, mencionei um outro livro, o Bird by Bird, da Anne Lamott, e disse que ele merecia, oportunamente, um comentário próprio. Aí vai.

- Então, você quer escrever um livro?

- Quero.

- O melhor a fazer é ir escrevendo logo. Supondo que você tenha alguma coisa sobre o que escrever, não é?

- Tá na minha cabeça há muito tempo.

- O que está esperando para colocar isso no papel? Se é como diz, que isso está em você há tanto tempo... Vai, senta e escreve. Ou prefere que antes eu lhe mostre como é que se transforma ideias em texto? (Puxa! Como seria bom se isso fosse possível na vida real – aparecer alguém com disposição para nos desentranhar nos caminhos da escrita)

- Eu adoraria! Já fiz várias tentativas, sem resultado. Essa coisa continua assombrando de dentro da minha cabeça. Não sai de lá nem consigo esquecê-la.

- Olha, parece complicado, mas na verdade é simples, se você tomar algumas medidas que favoreçam o fluxo das ideias. Esse é um ponto. Disse o mestre.

- Tá, até aí eu fui. Ideias não me faltam. Mas me enrolo na organização delas. Começo a escrever e, em pouco tempo, fico enredado pelas várias possibilidades, os muitos caminhos para a narrativa seguir. Empaco. Começo a acreditar que escrever é mais um trabalho de organização do que de criação. Acho que a diferença entre o escritor e os simples mortais está na capacidade de um transformar impulsos cerebrais em texto inteligível, criativo e novo, não importa o assunto, enquanto aos outros, como eu, até agora, cabe ficar nos mata-burros das primeiras linhas. É como se um grande pensamento branco tomasse conta do cérebro. E lá fica a ideia, acenando, como quem diz: vai, me escreve, qual o problema? Afinal, sou toda sua e estou bem aqui, na sua cabeça.

- Chegou perto. Vamos olhar com mais cuidado esse ponto. Deixa a organização do seu “romance” para mais adiante. O primeiro passo é tirar o máximo da tal idéia, algo que possa se transformar em texto, como você mesmo disse, inteligível, criativo, essas coisas. Qualquer rabisco vale. Frase solta vale. Sem organização mesmo...

- E como isso é feito?

- Ora, escrevendo.

- Mas...

- Espere. Sei que vai dizer que empaca etc. Aqui, quando digo que é escrevendo que se começa a tirar a ideia da cabeça, não falo da produção do texto final, mas apenas daquela pressão que, novamente usando as suas palavras, lhe assombra a cabeça há tempos.

- Mas, ao conseguir escrever isso, não estou trabalhando com a minha ideia e produzindo o livro?

- Sim e não.

Fiquemos imaginando que a conversa continua. Muitas páginas serão necessárias para narrar a epopeia do mestre, disposto à tarefa de desvendar, ao neófito, os mistérios que se ocultam por dentro da mente daqueles que conseguem produzir escritos, inteligíveis, criativos e novos, não importando o tema.

Este diálogo, infelizmente, é um bocado improvável, mas pouparia o tempo de muito candidato a escritor. É improvável porque dificilmente se encontrará o sábio interlocutor, com a disposição de ensinar o caminho entre as pedras (e espinhos) da produção literária.

Mas, para isso também há remédio. Procurando a solução para o meu problema - sim, leitor incauto dessas linhas, o neófito sou eu -, encontrei mapas que mostram alguns desses caminhos entre as pedras. Descobri, seguindo aquelas pistas, que há muitos deles por aí: escritos que falam do escrever.

Há os livros técnicos, os eruditos, outros até são engraçados e alguns, os melhores, conseguem misturar um pouco de tudo para dar ao leitor, interessado em se passar para o lado do escritor, boas informações sobre o prazeroso, mas extenuante, ofício de escrever.

A triste verdade: não há quem ensine a escrever! Tudo vai depender apenas daquilo que você já sabe – desde os tempos da escola – e/ou apreendeu dos muitos livros que leu. Ah, não leu muitos livros? Vai subir uma ladeira bem mais íngreme. Para escrever com qualidade - que não significa apenas o domínio das técnicas, mas a facilidade de escolher a sintaxe, o estilo com que determinará a fluência de suas ideias - a leitura prévia de muitos autores lhe proporcionaria um caminho mais plano. A cultura literária faz milagres. Existem autores, por exemplo, que produzem texto como se estivessem deslizando ladeira abaixo.

O primeiro ponto abordado pelo “mestre”, no diálogo improvável, diz sobre a desordem das primeiras anotações. O segundo ponto, que não deixamos sequer ser mencionado, diria sobre o fluxo das palavras do cérebro para o papel e alguns métodos para que isso se mantenha pelo tempo necessário à consecução da missão de escrever o conto, a crônica, o romance, a monografia ou o relatório ao chefe do departamento.

O mestre disponível é coisa rara, uma espécie praticamente extinta, mas, nas minhas buscas, encontrei um livrinho, uma verdadeira preciosidade, um manual de instruções na arte da produção literária. Quem gosta da ideia de passar a escrever deve comprá-lo. Garanto que terá muitas horas de divertimento e aprendizado com a Sra. Anne Lamott, autora do tal Bird by Bird, ou Palavra por palavra, em português. (Não gostei desse título em português, mas temo que o leitor não vá se dar conta da sutileza que envolve o título, no original em inglês. Eu fui obrigado a “saber” disso porque, quando comprei o livro, só havia a edição americana. Não sei como foi que os pássaros se transformaram em palavras na edição brasileira. Mas não tenho a menor dúvida de que isso deve ter sido objeto de muita discussão entre o tradutor e os editores)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Gomorra


Roberto Saviano é um jornalista italiano que um dia resolveu morrer. Claro que ele não queria morrer verdadeiramente, do jeito que se imagina como seria com um tiro, uma facada ou estrangulamento, essas coisas horríveis e que devem doer um bocado. Ele resolveu que não valia a vida de jornalista se não descobrisse como funciona a indústria da morte, da corrupção infame e da miséria que assola boa parte da Itália: a máfia, mais precisamente a Camorra, de Nápoles.

Largou tudo e se infiltrou naquele mundo. Não precisou ir muito fundo - se tivesse conseguido, não teria sobrevivido para contar a história -, mas o tanto que ele se aprofundou foi o suficiente para escrever o livro Gomorra e merecer uma sentença de morte.

Estarrecido é pouco para definir como fiquei enquanto desfolhava o livro, no princípio com incredulidade e, à medida em que as tramóias macabras vão se sucedendo, com revolta e repugnância. Como isso ainda pode acontecer em pleno século 21? Me perguntei muitas vezes. Que país é esse que não consegue se livrar desse verdadeiro câncer, que é a máfia? Ora, não estamos muito longe daquilo, não é, mesmo aqui no Brasil. Países muito mais desenvolvidos do que nós e a Itália, como os Estados Unidos e Alemanha, têm problemas sérios com organizações derivadas ou associadas diretamente à máfia italiana.

Tráfico de drogas, de armas, chantagem, extorsão, jogatina e loterias, prostituição, contrabando, corrupção de funcionários públicos e armações para amealhar contratos lesivos etc, são muito mais comuns do que percebemos sentados em nossos sofás. A podridão se alastra nas áreas de serviços como a coleta de lixo e obras públicas. Outro exemplo de área dominada pelos escroques é a da movimentação de cargas em portos, isso no mundo todo. A Itália não seria uma exceção, nenhum país é. É ingênuo pensar que sim, que existem lugares diferentes, onde os sindicatos e organizações que dominam essas áreas de serviços e categorias profissionais o fazem por absoluto altruísmo e interesse na grandeza e desenvolvimento do seu país e que não são controlados ou simplesmente pertencem à máfia.

Essas coisas todas e a omissão das autoridades e da sociedade em geral, são expostas didaticamente, cruamente e com clareza pelo texto jornalístico do Saviano. A crueldade insana, sangrenta e sem sentido, manteve um “bolo” na minha garganta durante boa parte da leitura. Homens que praticam atos de barbárie contra mulheres e crianças inocentes, culpados apenas por serem parentes de algum desafeto ou de estarem no lugar errado na hora errada, me fizeram pensar, afinal, que ser humano não significa ser grande coisa.

Gomorra é leitura que fascina, assusta e desperta pensamentos sombrios.

Roberto Saviano ainda não morreu.

sábado, 1 de setembro de 2012

A felicidade é fácil


Acabei de ler o livro do jornalista Edney Silvestre. Não sabia nada dele como escritor, muito menos que esse não era seu primeiro livro. Soube um pouco quando me dei ao trabalho de ler umas e outras boas resenhas sobre o A felicidade é fácil.

Gosto de ler. Leio de tudo. Gosto muito de histórias policiais.

Eu confesso: tive que vencer algum preconceito. Jornalista global, resenhas em jornais escritas por colegas... Caramba! Tenho gasto um bom dinheiro para ler muitos romances policiais dos quais bastou uma resenha “interessante”. E isso não me livrou de ler coisas deficientes. Vou prestigiar um brasileiro, pensei. Não vou conseguir me arrepender disso mais do que já me arrependi ao ter me arriscado com sujeitos com nomes estrangeiros. Comprei o livro.

De início estranhei. Parecia que estava lendo uma história já conhecida, que já havia sido publicada nos jornais, até me dar conta de que o Edney estava usando, com  habilidade, a minha memória. Ele conta um caso de sequestro perpetrado no Brasil por bandidos estrangeiros. Lembram? Pois é, eu ia me lembrando e isso me fazendo acreditar que já sabia do caso. Mas o livro não é uma reportagem, é romance, e me caiu a ficha. O enredo não é o mesmo que narrou, em passado recente, a crônica policial brasileira, mas tem tudo com o que os jornais publicaram sobre os famosos casos do Abílio Diniz e do Olivetto. Só que o autor nos coloca do outro lado da linha, do lado dos que sabiam o que realmente havia por trás daquilo tudo. Estranhamente, a possibilidade de que complôs como aqueles pudessem ter acontecido da forma como ele descreve, não me espantou.

Edney Silvestre navega por onde conhece. Pega tudo: polícia, política, economia, corrupção e outras coisas que estão por aí, na nossa cara, o tempo todo. Mistura, sacode e serve de volta numa história simples, bem montada e bem escrita.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Tablóide Americano


Eu já mencionei esse livro, Tablóide americano (American tabloid), no comentário “6 mil em espécie” que publiquei sobre a trilogia de romances policiais, do James Ellroy onde a narrativa se passa nos Estados Unidos da era Kennedy e logo após. Naquele texto tomei por base o que havia lido nos dois últimos livros da série, os 6 mil em espécie (The cold six thousand) e Sangue errante (Blood’s a rover). Não tinha como comentar o primeiro, o tal Tablóide, porque esteve esgotado. Semana passada, finalmente, terminei a sua leitura.

Tablóide americano, não correspondeu à minha expectativa. Por ser o primeiro, pensei o pior sobre o livro. Normalmente, o autor aprimora o trabalho na medida em que o desenvolve. Engano meu. Não dá para eleger qualquer um dos três livros como o melhor. A pegada é a mesma.

Quando comecei a ler a trilogia, a partir do livro dois, o John Kennedy já era e a ação é nos tempos de depois do seu assassinato. Em Tablóide americano a coisa começa antes da sua eleição para presidente e discorre sobre as maquinações para que isso aconteça, incluindo a campanha contra o Nixon, as tramóias com a máfia - do Sam Giancana e do Carlos Marcelo -, com o Jimmy Hoffa, com o FBI - do Edgar Hoover -, com o Fidel Castro – aquele de Cuba -, com o irmãozinho Robert Kennedy e o até com o doido drogado do Howard Hughes. Descreve o planejamento e as consequências da desastrada invasão da Baia dos Porcos e outras coisas mais do reinado do Kennedy. Todo mundo alimentou ilusões a respeito do priápico presidente. Todo mundo achava que ele seria legal. Todo mundo achava que a máfia se daria bem. Hoffa se daria bem. Hughes e até Fidel também. Ninguém se deu bem.

O livro é ótimo, mas aviso que ele segue o mesmo estilo de pancada dos outros dois, ou seja: golpe abaixo da linha da cintura é o que conta. Prostituição, chantagem, tráfico de heroína e de influência, assassinatos a tiros e a machadadas, roubo, escutas ilegais, tudo faze parte do cardápio oferecido por James Ellroy na trilogia fantástica, Submundo USA, sobre o crime organizado e a politicagem nos Estados Unidos dos anos 50 e 60. Há coisas escritas das quais até Deus duvida, mas nada tão absurdo ao ponto de se ter a certeza de que não aconteceu. Entre as várias delícias, os relatos sobre a produção da revista de fofocas Hush Hush: impagável.

“O maior escritor policial de nossa época, talvez de todos os tempos.” - Newsweek

“Estilhaços narrativos que, unidos com uma coerência exemplar, formam uma história cativante desde os primeiros capítulos. É literatura policial, e das boas.” - Folha de S. Paulo

terça-feira, 14 de agosto de 2012

1933 foi um ano ruim


John Fante foi um homem preocupado com a verdade. Sempre que leio algum dos seus livros me passa pela cabeça que ele faz parecer tão simples escrever direto do coração para o papel. Quem já arriscou seus rabiscos sabe bem do que estou falando.

Nesse livro, pequeno, 1933 foi um ano ruim (1933 was a bad year), ele não deixa nada para depois. Coloca lá as coisas que tocam fundo o coração, direto, sem voltas. Dominic quer o mundo. Ele tem 17 anos e está certo de que não tem tempo a perder. Meu coração pulava enquanto eu me lembrava de que já estive por lá, pelos 17 anos de idade, com meus sonhos e delírios, caros, urgentes.

Depois que terminei de ler o texto de John Fante, morto lá em 1983, doeu lembrar que ainda estou aqui, que nada aconteceu. Que o mundo não acabou – todo mundo um dia teve a certeza de que isso iria acontecer quando viu que a vida não estava nem aí para sonhadores com 17 anos de idade.

Já li dele Pergunte ao Pó (Ask the dust), Espere a primavera, Bandini (Wait until spring, Bandini) e esse, 1933 foi um ano ruim, em todos está presente essa urgência em realizar e a ansiedade jovial do protagonista, mais ou menos um alter ego do autor.

Charles Bukowski, uma espécie de curador informal da obra de John Fante, disse: “finalmente aqui está um homem que não tem medo da emoção”.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Quelés




O livro de Roberto Caminha foi uma grande surpresa. Logo nas primeiras páginas eu pensava: é uma preciosidade! É o seu primeiro livro e é ótimo. Um tipo de coisa de que eu gosto: um épico. Mais que isso, um épico amazônico. Mesmo já tendo vivido por lá e com idade suficiente para não duvidar de nada nesse mundo de Deus, não imaginava que houvesse tal história para ser contada e não me lembro de nada parecido entre os livros de aventuras que já li. (Alguém, mais esperto, deverá suspeitar, com razão, de que já li muitos)

Como os bons escritores do gênero – romance biográfico sobre aventureiros/desbravadores -, Roberto conseguiu recriar personagens convincentes, heróicos, íntegros e honestos na sua visão da vida e que, a medida em que o texto se desenvolve, transmitem empatia de tal forma que logo me senti um membro do bando, quer dizer, da família de conquistadores. Mas nossos heróis são daquele tipo que vão além do que a lei e a ordem regulam quando precisam defender os fracos e oprimidos, a si mesmos ou aos seus interesses territoriais, numa Amazônia em pleno ciclo da borracha, com bandidagem pululante. Aí, são de uma crueldade sem par, sem a menor preocupação com o “politicamente correto”, essa praga que nos assola. Em alguns momentos da narrativa eu e meu estômago tivemos que ser fortes, principalmente naquelas passagens onde entre os protagonistas apareciam os jacarés.

Mas afinal, o que é um quelé? Entendi que eram todos os que faziam parte da turma dos bons. Na verdade havia um personagem com esse apelido que acabou estendido a todos os membros do bando. Curioso, pesquisei no Google e descobri uma definição interessante: quelé vem do irlandês Keli, que significa pessoa viva e agressiva. Provavelmente o Quelé do livro não tem nada com os irlandeses, mas seria bem apropriado.

A leitura de Quelés me lembrou dos tempos em que se contavam histórias. É um livro de aventura bom de ler, com narrativa simples e direta, sem enfeites, onde Roberto Caminha, como um grande contador de histórias, narra a saga de seus antepassados.