Ler o que Scott Fitzgerald (1896-1940) escreveu é obrigatório. Mas a
obrigatoriedade de ler suas obras é uma das coisas mais prazerosas que se pode
ter com a literatura. Para quem não sabe, é bom avisar que se trata de ficção. Apesar
da fama, como a maioria dos grandes escritores, fez de sua obra algo muito
fácil de ser digerido mesmo por aqueles com pouca intimidade com a leitura.
O aviso, de que se trata de ficção, é importante porque, à medida que se
vai lendo o maravilhoso Os belos e
malditos (The Beautiful and Damned),
escrito em 1922, temos a impressão
de que aquilo tudo se passou verdadeiramente com o narrador. A obra tem caráter
autobiográfico, claro, mas não é literal.
Neste livro Fitzgerald mostra o
mundo dos ricos de Nova York na "era do jazz", dos verões da década de 1920 em Long Island e das
relações vazias que mantém aquela gente reunida, para fugir da uma realidade
que, certamente, não os tornaria mais felizes. Com olhar afiado e irônico
escreve a crônica da espiral descendente do casal de esbanjadores Anthony e
Gloria Patch que, mesmo depois de alguns passos além da beira do precipício,
mantém as aparências e os hábitos a qualquer custo.
Gosto dos personagens do Fritzgerald e de sua “auto-suficiência”
arrogante. Acho que ele conseguiu criá-los tão bem por causa de sua própria
condição de egocêntrico. Em suas palavras, “eu só vim a saber, com quinze anos,
que existiam outras pessoas no mundo além de mim, e isso me custou bastante”.
Fitzgerald escreveu apenas cinco romances. O mais famoso deles, O grande Gatsby (The great Gatsby), de 1925, já foi filmado em quatro versões, a
primeira em 1926; a segunda em 1949, com o Allan Lad; a terceira, de 1974, é a
mais conhecida com o Robert Redford e a Mia Farrow. Também tem uma quarta
versão para a televisão, de 2000, e sabe-se que estão finalizando a produção de
mais uma com o Leonardo di Caprio, sempre ele.
Escritor de sucesso precoce, Fitzgerald conseguiu fama e grana muito
jovem, logo no seu primeiro livro, o Este
lado do paraíso (This Side of Paradise). A partir daí, levou a vida como uma grande festa, com muita birita e
dissipação, até morrer com apenas 44 anos, deixando inacabado o quinto romance,
O último magnata (The Love of the Last
Tycoon).

