segunda-feira, 28 de maio de 2012

Os belos e malditos


Ler o que Scott Fitzgerald (1896-1940) escreveu é obrigatório. Mas a obrigatoriedade de ler suas obras é uma das coisas mais prazerosas que se pode ter com a literatura. Para quem não sabe, é bom avisar que se trata de ficção. Apesar da fama, como a maioria dos grandes escritores, fez de sua obra algo muito fácil de ser digerido mesmo por aqueles com pouca intimidade com a leitura.

O aviso, de que se trata de ficção, é importante porque, à medida que se vai lendo o maravilhoso Os belos e malditos (The Beautiful and Damned), escrito em 1922, temos a impressão de que aquilo tudo se passou verdadeiramente com o narrador. A obra tem caráter autobiográfico, claro, mas não é literal.

Neste livro Fitzgerald mostra o mundo dos ricos de Nova York na "era do jazz", dos verões da década de 1920 em Long Island e das relações vazias que mantém aquela gente reunida, para fugir da uma realidade que, certamente, não os tornaria mais felizes. Com olhar afiado e irônico escreve a crônica da espiral descendente do casal de esbanjadores Anthony e Gloria Patch que, mesmo depois de alguns passos além da beira do precipício, mantém as aparências e os hábitos a qualquer custo.

Gosto dos personagens do Fritzgerald e de sua “auto-suficiência” arrogante. Acho que ele conseguiu criá-los tão bem por causa de sua própria condição de egocêntrico. Em suas palavras, “eu só vim a saber, com quinze anos, que existiam outras pessoas no mundo além de mim, e isso me custou bastante”.

Fitzgerald escreveu apenas cinco romances. O mais famoso deles, O grande Gatsby (The great Gatsby), de 1925, já foi filmado em quatro versões, a primeira em 1926; a segunda em 1949, com o Allan Lad; a terceira, de 1974, é a mais conhecida com o Robert Redford e a Mia Farrow. Também tem uma quarta versão para a televisão, de 2000, e sabe-se que estão finalizando a produção de mais uma com o Leonardo di Caprio, sempre ele.

Escritor de sucesso precoce, Fitzgerald conseguiu fama e grana muito jovem, logo no seu primeiro livro, o Este lado do paraíso (This Side of Paradise). A partir daí, levou a vida como uma grande festa, com muita birita e dissipação, até morrer com apenas 44 anos, deixando inacabado o quinto romance, O último magnata (The Love of the Last Tycoon).

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