Quem não conhece ou ouviu falar ou ainda não leu um livro da Isabel
Allende? Eu ouvi falar, sei algumas coisas dela, mas nunca havia lido um livro
seu. Apesar do conhecido sucesso mundial da escritora chilena, dos muitos
elogios sobre sua obra, nada me fez ter vontade de ler algum dos seus livros
até o Zorro (El Zorro).
Mas, espera aí? Esse livro foi escrito pela Isabel Allende? Não foi um
mexicano, um americano quem escreveu isso?, alguém vai perguntar. E foi mesmo, um
americano do norte, o canadense Johnston
McCulley, quem criou o personagem em 1919, no seu conto A maldição de Capistrano (The curse of Capistrano), publicado em
cinco partes numa revista pulp. Depois foi relançado como livro com o título A marca do Zorro. Quando virou seriado
da Disney (que eu adorava assistir) entre 1957 e 1959, com o ator Guy Williams
no papel do Zorro, acabou se transformando num sucesso mundial. Hoje, desconfio
de que se alguém rabiscar para um garoto a famosa marca dos três traços
cruzados pode receber de volta o olhar de quem não sabe do que se trata. Se bem
que recentemente foi produzida uma sequência de dois filmes (bem razoáveis),
com os dois Antônios, o Hopkins e o Banderas, se revezando no papel do herói.
Bom, eu pensava que a
história, uma legítima capa-e-espada, que se passava na Califórnia, no final
do domínio espanhol sobre o México, havia se esgotado em sí. Afinal, o romance
tem começo, meio e fim, quando Don Diego de La Vega, depois de peripécias
eletrizantes (recomendo a leitura do clássico), revela sua identidade no último
capítulo e todos vivem felizes para sempre.
Meu engano. É aí que começa -
na verdade nem chega perto daí - a história que Isabel Allende engendrou para
me encantar. Ela não reescreveu a lenda, mas inventou, aumentou o que já era
bom. Deu aos fãs do herói mais coisas com o que se deleitar. Eu gostei muito.
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