Gosto de ler contos e romances policiais, as “histórias de detetive”. Para
mim é diversão garantida. Tem muita gente boa, inclusive no Brasil, produzindo
esse tipo de literatura, que é uma coisa bem antiga. Desde Edgar Allan Poe e
Arthur Conan Doyle – os pioneiros mais conhecidos -, entre 1840 e 1880, que
essas histórias vem alegrando a existência dos que gostam do gênero, como eu.
Apesar de não ser uma escritora novata, pois o seu primeiro romance é de
1964, Ruth Rendell só chegou ao meu conhecimento recentemente, coisa de uns
cinco anos. Eu sabia quem ela era, sua reputação etc, mas não havia lido nenhum
de seus livros. Comecei minha adoração por ela com o Carne trêmula (Live Flesh). Ter
me iniciado na Senhora Rendell por esse livro foi uma combinação de acasos
felizes: o conhecido filme do Almodóvar estar na minha memória, o encontro com
o livro em uma livraria e ter acabado de ler um outro livro dela, o Uma agulha para o diabo (The fever tree and other stories). Mas
não acabei de dizer que me iniciara na Ruth Rendell pelo Carne trêmula e revelo que já havia lido um outro livro dela?
Calma! Às vezes precisaremos de mais de um livro para nos transformarmos num
admirador. E esse pequeno livro, Uma
agulha para o diabo, nem é um romance, mas um livro de contos.
Ruth Rendell está aí há muito tempo e já escreveu mais de cinquenta livros.
Gostei de todos os que li, mas Carne
trêmula é o mais forte. Ler esse romance policial é uma pancada. Não foi à
toa que o Almodóvar o escolheu para fazer o filme. Logo me vi enfiado dentro da
cabeça de um psicopata. Assim, a narrativa segue por quase trezentas páginas de
agonia e crescente desespero vividos pelo personagem em sua rota de colisão com
o mundo. A Sra. Rendell, me fez seguir até o fim, na carona de um maluco, como
em um carro desgovernado, em busca do alívio à sua compulsão, o que só será possível
no fundo do abismo.
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