quinta-feira, 15 de março de 2012

Crônicas Saxonicas

No final do século IX, entre os anos de 870 e 900, os dinamarqueses estavam muito empenhados em finalizar a conquista do lugar que hoje conhecemos como Inglaterra. Na verdade já ocupavam grande parte da ilha. A Nortúmbria, ao norte, a Ânglia Ocidental e boa parte da região central, a Mércia, já estavam sob seu domínio. O rei de Wessex, na época um tal de Alfredo, lutava para não deixar cair nas mãos dos nórdicos o último reino governado pelos saxões. Seu projeto de vida era a reconquista dos territórios em poder dos vikings, sua unificação e conversão ao cristianismo. Os dinamarqueses, que não haviam encontrado dificuldades para invadir as outras regiões, tiveram em Alfredo e sua turma um osso duro de roer. Este, por sua vez, encontrava dificuldades na imposição de sua religião ao seu próprio povo. A luta era árdua nas duas frentes.

Este é o cenário que Bernard Cornwell, baseado em fatos da história da Inglaterra, utiliza para escrever um romance épico - até agora em seu sexto volume e com previsão para sete. Em meio às reviravoltas e entreveros entre os contendores da disputa territorial, vai contando as peripécias de Uhtred, um garoto dinamarquês, seqüestrado e criado pelos saxões, que acaba lutando ao lado dos seus captores contra seus conterrâneos.

A vida devia ser muito difícil e suja naqueles tempos. Descrições de batalhas campais. Homens se borrando de medo em paredes de escudos. Lama, entranhas, sangue e merda para todos os lados. Pernas, braços e cabeças decepadas. Lanças, espadas e flechas cortando e furando todo mundo. Invasões de vilas e cidades. Meninas e freiras nuas. Rapinagem e mulheres sofrendo as consequências da derrota de seus homens. Felizmente, amenizando um pouco a barbárie, bravatas inteligentes, o bom humor britânico e a ironia estão lá o tempo todo.

Sou suspeito para falar de romances medievais, porque são os meus favoritos. Sou suspeito para falar de Bernard Cornwell, porque tenho todos os seus livros de histórias medievais (e mais alguns de outras eras). Gostei muito dos primeiros que li, uma trilogia sobre a época arturiana (As crônicas de Artur). O segundo trabalho dele gostei ainda mais: outra trilogia, agora sobre a guerra dos cem anos (A busca do Graal). O terceiro, Azincourt, um livro sobre aquela famosa batalha, achei brilhante.

As crônicas saxônicas são compostas pelos livros “O último reino”, “O cavaleiro da morte”, “Os senhores do norte”, “A canção da espada” e “Terra em chamas”. O sexto volume, encontrado somente em inglês e com previsão para publicação no Brasil em junho de 2012, se chama "Morte dos Reis" (Death of Kings).

A história de Uthred encanta, diverte e não é à toa que os fãs do autor, espalhados pelo mundo afora, em séria crise de abstinência, não param de cobrar sua continuação. Pois, depois de nos viciar, publicando habitualmente um livro por ano, isso do primeiro ao quarto volume, passou mais de dois anos para lançar o quinto e, depois desse, outros dois para o sexto volume da série, editado recentemente na Grã-Bretanha e Estados Unidos, mas ainda sem data para lançamento no Brasil.

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