quinta-feira, 15 de março de 2012

O cemitério de Praga

Umberto Eco acabou acertando, finalmente e novamente, no meu gosto. Depois de ler “O Nome da Rosa”, trinta anos atrás, e de ter gostado muito do livro, tinha saído frustrado da tentativa de ler “Baudolino”. O abandonei logo, depois de poucas páginas. Desconfiado, mas convencido por algumas resenhas que havia lido na internet, comprei “O Cemitério de Praga” (Il cimitero di Praga). (No fundo achava mais justo que o Umberto Eco me enviasse um exemplar grátis para ver se, dessa vez, engrenava.)

Preparado para uma leitura em ritmo vertiginoso, conforme indicavam os comentários, acabei sendo posto novamente à prova. Bravura, foi o que salvou o Umberto Eco. Bravura de minha parte, claro. Na verdade o início do livro é cativante. Mas em seguida entra em um “mata-burro”, cai num ritmo que me lembrou o “Baudolino”. A leitura fica xarope. Felizmente não me entreguei ao impulso de abandonar o texto. Prossegui. Funcionou. Logo o autor engrenou na criação da trama, me recapturou e lá fui eu, levado de roldão, acompanhando personagens históricos, como Freud, Dreyfus e Garibaldi, numa salada com maçons, católicos, satanistas, judeus e falsos magos em diversas conspirações, numa mirabolante tese sobre a composição dos Protocolos dos Sábios de Sião.

Culto, divertido, hilário. Gostei e recomendo.

P.S.: depois dessa vou ter que voltar e dar uma nova chance ao Baudolino.

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