quinta-feira, 15 de março de 2012

A guerra das salamandras

Um dia o capitão J. van Toch chegou numa ilha da região de Sumatra a procura de pérolas. Lá encontrou salamandras. De pronto, sua visão de homem de negócios, considerou a descoberta muito valiosa porque, além de habilidosas, rapidamente aprendiam a entender o que os humanos queriam. Também conseguiam trazer mais ostras à superfície do que qualquer pescador de pérolas da Sumatra. O que ele não sabia era que as salamandras seriam capazes de muito mais.

O romance de Karel Capek (1890-1938), “A Guerra das Salandras” (Válka s Mloky, para quem entende tcheco), começa como uma aventura de ficção. Com muito humor e ironia, foi me levando a acreditar que se tratava apenas de uma alegoria divertida. Engano meu.

O livro, escrito antes da segunda guerra, jamais deixa de lado o tom irônico mas, à medida que avança, mergulha num espiral delirante sobre inconseqüência, totalitarismo e corrida armamentista.

Gostei muito. Me divertiu, me fez dar risadas, me fez pensar. Também senti ansiedade e aflição na pele dos personagens “vítimas” das circunstâncias. Ninguém escapa, ninguém é inocente nessa bela metáfora apocalíptica.

No prefácio do livro fui informado de que Capek era contemporâneo de Kafka e que escreveu muito, de tudo, inclusive literatura infantil e ficção científica. Morreu cedo, aos 48 anos de idade.

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