sábado, 17 de março de 2012

O Ladrão no Fim do Mundo

Joe Jackson, o autor do livro, envereda pelo relato das aventuras do personagem principal da história do “roubo” das sementes da Hevea brasiliensis – a seringueira, ou a árvore da borracha - e nos leva com ele para, de camarote, assistirmos a saga do sir Henry Wickham (1846-1928). O ladrão, mencionado no título (The Thief at the End of the World), é conhecido na Inglaterra como o pai da borracha e no Brasil como “o algoz do Amazonas”.

Vamos com Henry, mundo afora, em suas viagens verdadeiramente descabeladas. O sujeito, antes de tudo, era um inquieto. Primeiro tenta a vida (não dá certo) no Caribe e, depois de peripécias, chega ao Brasil pelos rios amazônicos que descem da Colômbia até Manaus, via Rio Negro. Como se dizia antigamente, ele devia ter bicho carpinteiro. O autor teve tanto sucesso em me carregar junto das andanças do nosso herói que, lá pelas tantas, me sentia cansado e com uma ansiedade devido às agruras da sua vida nos trópicos.

Aventureiro, no velho estilo inglês, Henry não recusava nenhum tipo de empreitada, desde que pudesse manter a esperança de recuperar as finanças da família. Falta de planejamento e azar foram seus companheiros constantes. Assim, acabou como seringueiro no Pará de onde (depois de perder o pouco que conseguira amealhar, mais a mãe, a sogra e uma jovem empregadinha inglesa para as doenças e a selva) é salvo pela rainha Vitória, mais precisamente pelo Jardim Botânico dela. Haviam aprovado, finalmente, seu projeto de levar sementes da borracha brasileira para a Malásia e Índia. Com isso, levanta uma boa grana e pode voltar à Inglaterra.

É também interessante a parte do livro que descreve a vida na riquíssima Manaus da época da borracha e outra que conta da aventura do Henry Ford, aquele mesmo da indústria automobilística, em uma tentativa de estabelecer uma colônia americana no Pará, onde pretendia “domar” a seringueira com plantações como as que já estavam produzindo borracha na Malásia com sucesso. Duas coisas que muitos brasileiros desconhecem.

Aliviados, pensamos: depois dessa encomenda de sua majestade, acabam-se as dificuldades do nosso herói. Nada disso! Henry, como um catador profissional de problemas, começa novas andanças pelo mundo e a coisa segue cada vez mais difícil.

Mais não posso contar senão alguém pode achar que estou estragando a leitura desse livro instrutivo, divertido e fabuloso.

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