É principalmente uma história de amor. Carlos Ruiz Zafón escreveu um pequeno romance – são pouco mais de 180 páginas – de aventura, terror, ficção científica e sobre o amor. Amores dark.O personagem principal, Óscar, um rapaz tímido, desenxabido e solitário na Barcelona do século passado, percorre em suas ruas tortuosas, os caminhos da descoberta da paixão e das ansiedades causadas pelos seus desencontros. Também é por lá que leva os sustos, foge, reage e luta contra as ameaças proporcionadas pela cabeça ágil do Carlos Ruiz.
Talvez seja proposital, quem sabe para surpreender o leitor distraído, mas em nenhum lugar, seja na capa, orelhas ou nota do autor, é mencionado o fato de que é um livro de aventuras, terror e ficção científica. Começando pelo nome, “Marina”, nada indica o gênero a que pertence o livro. Fui descobrindo aos poucos, à medida que avançava por suas páginas e por Barcelona. Em algum momento cheguei a duvidar da qualidade obra. Um trabalho menor, pensei. Quase desisti. Mas, como isso não é coisa que costumo fazer, - desde a tentativa fracassada de ler “Baudolino”, do Humberto Eco - segui em frente para ver no que ia dar. Não me arrependi.
Não há vampiros, lobisomens nem anjos caídos, mas tem bastante suspense, mistério, alguma fantasia e amor em variadas formas, algumas terríveis.
A história é contada de forma elegante, estruturada com inteligência e os personagens são espertos. Demais até, em muitas passagens, ficando, nesses momentos, difícil de engolir que aquilo tudo se passa com um casal de adolescentes em seus quinze anos de idade. A partir do instante em que o terror e o suspense invadem a narrativa, tem-se a sensação de que os protagonistas são dois adultos experientes no trato dos assuntos detetivescos da história. Isso me incomodou. Não o suficiente para abandonar o livro. A criatividade do escritor é marcante, a história é boa e, do seu jeito, bem contada, mas triste.
Acabei sofrendo um pouco junto com Óscar.
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