Não dá para dizer que o livro é diferente. É estranho, mas muito bom. Eu sei que é quando muda alguma coisa dentro da minha cabeça. Quer saber? Sei novas maneiras de escrever sobre o tempo que passa, sei que as coisas não precisam ser lineares para, na marra, levar o leitor em linha reta através da vida dos personagens. Lendo a Jennifer Egan parece simples. Não é.Ler sobre a passagem do tempo (e aplicar em paralelo à nossa vida) é sempre coisa dolorida. A autora mostra com ternura e lucidez, através de histórias entrelaçadas, o que há entre o que queremos e o que a vida realmente nos concede.
Eu li “A visita cruel do tempo”, (A Visit From the Goon Squad) com sofreguidão, sem perceber a passagem do tempo. Me lembrou das emoções das muitas voltas ao passado - mesmo com a melhor das intenções - para acabar sofrendo as dores das perdas pelo tempo que se foi.
Do que eu mais gostei? A forma da escrita. Mas aí tem a questão da tradução, o que é um bom argumento. Não é isso. É a limpeza do texto. Direto. Amoroso. Irônico, divertido. Novo: um capítulo, todo escrito na forma de lâminas para apresentação, mostra claramente que, para a boa literatura, não há limites quanto à forma.
Senti tristeza, algum banzo, mas quem não sente, quando se é lembrado, uma dúzia de vezes, do quanto a vida é efêmera e de que a felicidade e a dor estão sempre muito perto de nós. Muitas vezes a distância entre um e outro é de apenas o abrir de uma porta ou de um mergulho no rio.
Senti tristeza, algum banzo, mas quem não sente, quando se é lembrado, uma dúzia de vezes, do quanto a vida é efêmera e de que a felicidade e a dor estão sempre muito perto de nós. Muitas vezes a distância entre um e outro é de apenas o abrir de uma porta ou de um mergulho no rio.
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