Ao terminar de ler esse livro do Dennis Lehane pensei: o cara é bom. Era o segundo livro dele que li e gostei. O primeiro foi “Paciente 67”, filmado pelo Scorsese, com o nome de “Ilha do Medo” (Shutter Island) com o Leonardo DiCaprio. Outro livro dele que não li, mas vi o filme foi “Sobre meninos e lobos” (Mystic River), do Clint Eastwood. O filme é bom, o livro deve ser melhor.
Vi também outro filme baseado num livro dele (não li o livro), “Gone, baby, gone” (sem tradução), dirigido pelo Bem Affleck com o irmão dele, o Casey Affleck, no papel do detetive particular Patrick Kenzie. O filme é ótimo. A história do desaparecimento de uma garotinha de quatro anos que é procurada pelo detetive e sua assistente e namorada até o desfecho improvável.
É aí que começa o livro que acabei de ler, o “Estrada escura”, Moonlight Mile, no original. (Acho bom citar os títulos originais, as traduções passam perto mas raramente acertam na mosca.) É a história do desaparecimento da mesma garota, agora com dezesseis anos, e o envolvimento do casal de detetives, Patrick Kenzie e Angela Gennaro, novamente, na solução do caso.
O cara é bom, o livro é bom, mas não é excelente, como é o “Paciente 67”.
Mas o livro é lindo. (Como é, livro lindo?) Sim, uma pequena peça de bom gosto gráfico/editorial. Capa e diagramação elegantes e uma tinta vermelha, aplicada no corte das páginas, dão ao livro uma aparência única. (Tenho dois outros dessa série, da Cia das Letras, ambos da Patrícia Highsmith, que tem o mesmo projeto gráfico e cores variadas. Um tem a cor violeta e o outro é negro. Lindos!) Ao manusear um objeto dessa qualidade me ocorreu que isso os livro digitais jamais poderão trazer para os seus leitores.
Passei bons momentos, durante quatro dias, com o “Estrada Escura”. Distraiu, coisa que andamos precisando cada vez mais nesses dias de leituras tenebrosas nos jornais diários. A história é interessante, a narrativa rápida e tem uma boa carga de ironia (forçada, em algumas passagens). Porém manteve o tempo todo em meu coração a sensação de que foi escrito com pressa, como se tivesse prazo apertado para terminar. Em alguns momentos comecei a ficar nervoso com as descrições das roupas dos personagens, fulano vestia tal jeans com tal camisa, calçava tal sapato etc, mas acho que é coisa minha, que tinha acabado de ler o “O Psicopata Americano” do Bret Easton Ellis onde isso, de descrever roupas e acessórios, é levado ao paroxismo. Traumatizante! Mas é assunto para outra hora.
Nesse o Dennis Lehane me deixou na mão esperando por mais elaboração, o que no livro filmado pelo Scorsese, o tal da “Ilha do Medo”, tem de sobra. Algumas reviravoltas são previsíveis. O final é legal.
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