segunda-feira, 19 de março de 2012

A Guerra dos Tronos e outros romances medievais.

Tenho uma queda fatal por livros de história e romances passados na idade média. Podem ser registros sobre a história da época, romances históricos ou simples invencionices de um escritor, para mim não faz diferença. Eu gosto. Claro que faço algumas restrições, a principal delas, óbvio, é a qualidade do texto. Mas essa exigência é coisa que venho desenvolvendo mais recentemente (as vezes lamento isso). Lamento porque quando era mais novo lia qualquer coisa com deleite. Hoje, mais experiente com a linguagem escrita (e por isso mais besta), me surpreendo com dificuldades em certas obras, cujo assunto me interessa, mas onde o autor (ou o tradutor) não fizeram um bom trabalho. Quer um exemplo? Feliz da vida, achando que tinha descoberto um tesouro, pois são treze volumes, parti para cima da Saga dos Plantagenetas escrita pela escritora inglesa Eleanor Alice Burford Hibbert, sob o pseudônimo de Jean Plaidy. Não consegui, tamanha a chatice. Cheguei a ler (pior, comprei) os três primeiros livros da série. Desisti. Se alguém conseguir suportar a maratona garanto uma mariola. Outra restrição importante é o excesso de maionese na salada ou da fantasia exagerada: nunca me interessei por histórias com dragões e outros quejandos. Há romances mais modernos, com esse bicho e outras metáforas, dos quais gostei, mas isso é coisa para outra conversa.

O interesse pelo medieval se firmou por volta dos meus dez anos de idade quando, depois de ler Robin Hood(1) e Ivanhoé(2), tendo gostado muito, descobri o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Desde aquele momento procuro o tempo todo por histórias medievais. Não é fácil.

Não é complicado ler sobre a idade média, se você se contentar com o que existe a partir dos tempos de Carlos Magno (642– 714 d.C.). Mas isso já não é quase na metade dela? Algum exagerado pode perguntar e é verdade (a metade da idade média seria por volta do ano 1.000 d.C.). É escasso, difícil de achar e ler material sobre o que aconteceu entre os séculos V e VIII. Uma explicação simplificada para isso seria a queda de Roma (476 d.C.) e a conseqüente “esculhambação” instaurada na Europa. Eram bárbaros por todo lado, invadindo aqui, incendiando ali e que não deixavam em paz os candidatos a escriba que poderiam ter registrado os fatos. Se eles não se trancassem num mosteiro encarapitado no alto de alguma montanha - o que tornava seu trabalho de cronistas bem mais difícil de ser realizado - corriam o risco de serem mortos ou escravizados. Não é a toa que aqueles dias ficaram conhecidos como Idade das Trevas.

De alguns anos para cá uma excelente safra de romances com o tema foi publicada.

O mais famoso nesses dias é A Guerra dos Tronos (A Game of Thrones), que é o título do primeiro volume de uma série prevista para sete de As Crônicas de Gelo e Fogo* (A Song of Ice and Fire), do escritor americano George R. R. Martin. Aqui há bastante fantasia e até dragões, mas ainda não chegaram a me incomodar.

Faz parte das minhas favoritas as Crônicas Saxônicas** (The Saxon Stories). O livro O Último Reino (The Last Kingdom) é o primeiro de prováveis sete volumes (até agora foram lançados seis no Brasil, o sétimo está para sair na Inglaterra e Estados Unidos) de um épico histórico do inglês Bernard Cornwell. O período em que é tocada a narrativa dos livros se passa durante uma das várias tentativas dos dinamarqueses de conquistar a ilha inglesa, ali pelo final dos anos 800.

Obra prima: As Crônicas de Artur (The Artur Books), com seus três volumes: O Rei do Inverno (The Winter King), O Inimigo de Deus (Enemy of God) e Excalibur, também do Bernard Cornwell, lambem as beiradas da história da Inglaterra e da Bretanha (norte da França) no tempo em que as legiões romanas haviam acabado de deixar a ilha para saírem da história. Portanto é uma rara oportunidade de se ler um romance da Idade das Trevas.

O romance A Longa História é um exemplo de maravilhosa literatura que tem a idade média como cenário. O detalhe, que leva esse romance a ser um tesouro raríssimo, difícil de se encontrar similar, é que o autor, Reinaldo Santos Neves, é brasileiro. O escritor capixaba também tem outros livros com temática medieval. Destaco A Folha de Hera, Um Romance Bilingue (três volumes, todos escrito em português e inglês). Impossível deixar de ler.

O Bernard Cornwell ainda tem outros cinco livros sobre a idade média. Todos ótimos e situados no período da Guerra dos Cem Anos (de 1337 a 1453) entre ingleses e franceses. Três compõem a trilogia A Busca do Graal, que teve agora uma continuação num quarto volume, que não trata mais do Santo Graal, mas da espada sagrada de São Pedro, 1356 (ficando algo como os três mosqueteiros que eram quatro). O primeiro volume é O Arqueiro (Harlequin - The Archer’s Tale), o segundo O Andarilho (Vagabond) e o terceiro é O Herege (Heretic). O quinto e último dos livros sobre a Guerra dos Cem Anos é Azincourt. Esse conta a história da épica batalha (que empresta o nome ao livro) de 25 de outubro de 1415, quando cinco mil arqueiros de arcos longos ingleses, protegidos por cerca de novecentos homens de armas (cavaleiros desmontados) deram uma surra memorável na fina flor da cavalaria francesa que compunha um exército de mais de vinte mil homens (há controvérsia sobre os números dessa batalha). Naquela época os arcos longos ingleses eram uma espécie de bomba atômica dos campos de batalha. Leitura imperdível.

 __________________________________________

1. A versão mais conhecida da história de Robin Hood foi escrita e ilustrada pelo americano Howard Pyle (1853-1911), mas até Monteiro Lobato (1882-1948) escreveu uma, publicada na antiga Coleção Terramarear.
2. O autor de Ivanhoé é Sir Walter Scott (1771-1832).
(*) Os outros volumes da série Crônicas de Gelo e Fogo são: A Fúria dos Reis (A Clash of Kings), A Tempestade de Espadas (A Storm of Swords), O Festim dos Corvos (A Feast for Crows) e o quinto volume, A Dança dos Dragões (A Dance with Dragons). Os livros The Winds of Winter (sexto volume da série que está em fase final de redação, com lançamento previsto em 2015) e A Dream of Spring, o sétimo volume, que encerrará a série, sem previsão de lançamento (desconfio que ainda nem foi escrito).
(**) Outros volumes da série Crônicas Saxônicas são: O Cavaleiro da Morte (The Pale Horseman), Os Senhores do Norte (The Lords of the North), A Canção da Espada (Sword Song), Terra em Chamas (The Burning Land) e Morte dos Reis (Death of Kings), lançado em 2011 nos Estados Unidos e Grã-Bretanha e recentemente no Brasil. O autor jura que produzirá outros volumes, pelo menos até o sétimo. Não tenho tanta certeza disso.

8 comentários:

  1. INFELIZMENTE JÁ TENHO TODOS... AJUDE-ME INDICANDO ALGUM OUTRO, POIS SOU VICIADO NESTE ESTILO LITERÁRIO.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quando você diz todos, refere-se a todos os que menciono? Conhece os livros do Reinaldo Santos Neves?

      Excluir
  2. SUA LISTA...VOU PROCURAR OS DE REINALDO S. NEVES E LHE INDICO ORLANDO PAES FILHO

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não conheço o trabalho do Orlando Paes Filho. Do Reinaldo recomendo que comece pelo romance medieval "A Longa História".

      Excluir
  3. LEITURA EXTRAORDINARIA... VOL. 6 DE CRONICAS SAX DE BERNARD... QUERO MAIS....

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acabou de ser lançado, na Inglaterra e nos Estados Unidos, o sétimo volume. Vamos torcer para que haja mais...

      Excluir
    2. A SAGA DE ANGUS MACLACHLAN DE ORLANDO PAES FILHO

      Excluir
  4. Ótimas indicações, já li os livros lançados das séries de Crônicas Saxônicas e Crônicas de Gelo e Fogo, ambas extraordinárias, não vejo a hora de lançarem as próximas edições... Azincourt foi meu primeiro livro do Bernard Cornwell e virei fã de carteirinha... vou me programar pra ler no carnaval a As Crônicas de Artur e procurar o A Longa História, pra conhecer. Muito Obrigado

    ResponderExcluir